Stress: inimigo número um no trabalho

O stress acontece a todas as pessoas

Neste artigo falo sobre os diferentes tipos de stress e algumas formas de como o podemos aliviar ou contornar.

Chegamos a casa completamente esgotados. Como se a nossa cabeça estivesse totalmente vazia de ideias e sem energia. Quanto mais decidir o que vai ser o jantar. A vontade de comunicar com a família é muito pouca. O barulho e a pressão que sentimos ao longo do dia, continua a ecoar na nossa mente, e não dá espaço para nos sentirmos relaxadas. Esta pessoa somos nós tantas e tantas vezes.

O stress começa por ser algo que vai entrando nas nossas vidas, mas que depressa se torna um hábito. E depois chegam os sintomas de falta de energia, desconcentração, insónias, esquecimentos. O burnout é uma realidade em muitas (ou mesmo todas) as empresas. E nem mesmo as pessoas que trabalham por conta própria estão livres de se sentirem completamente esgotados, muitas vezes porque tudo depende deles e da sua capacidade de concretização. Mas tempo é dinheiro em todo o lado e em todos os empregos.

Segundo Albrecht, (autor e criador de programas de redução de stress em empresas), existem 4 tipos de stress que enfrentamos no trabalho. Vamos falar sobre eles e estratégias para minimizar cada um deles. Não são chaves de ouro para uma vida sem stress, mas podem ajudar muito.

Stress relacionado com o TEMPO

• A preocupação constante com o número de coisas a fazer e o medo de, por um lado não conseguir cumprir tudo, ou de falhar em coisas importantes. Está muitas vezes ligado a prazos irrealistas, em que o superior pede algo "impossível" naquele espaço de tempo, mesmo tendo consciência dessa realidade.

• Isto provoca ansiedade, infelicidade ou até mesmo pessimismo em relação a ti, ao teu desempenho e ao teu futuro na empresa.

Estratégias:

  1. Definição de prioridades: define as 3 tarefas mais importantes do dia

  2. Aprende a dizer NÃO. É das competências mais importantes e mais difíceis de implementar numa empresa, ou na nossa vida. É um equilíbrio entre ter de cumprir funções que nos são impostas pela nossa função, o medo de ferir suscetibilidades no superior e/ou nos colegas, e necessidade de concretizar tarefas que sejam exequíveis, e não megalómanas. Se isto te acontecer, respira fundo e pensa primeiro antes de dizeres “sim”. Se tiveres o teu dia organizado e com objetivos definidos, podes sempre justificar o “não” com tarefas que já tinhas antes e que, também essas, têm de ser finalizadas.

  3. Se possível, entra um pouco mais cedo, quando ainda não está muita gente no escritório/contexto de trabalho. Quando estamos no silêncio e sem os estímulos exteriores, trabalhamos de forma mais eficiente e mais produtiva. Mas claro, se isto for possível para ti e exequível no trabalho que fazes. Nem sempre, acordar mais cedo faz maravilhas pelo nosso desempenho.

Stress relacionado com ANTECIPAÇÃO

  • Acontece quando, no momento presente, já estás demasiado preocupado com uma tarefa que te propuseram para o futuro. Ou então, pode ser mais vasto, como um sentimento de que algo não vai correr bem ou que o teu futuro na empresa está comprometido por algo que julgas ter compreendido da linguagem não verbal dos teus colegas e superiores. Concluindo, sofres antes de tempo.

Estratégias

  1. Tenta visualizar um futuro mais positivo. Nada como respirar fundo e termos um pouco de confiança em nós próprios. Por vezes, estamos tão cansados que temos menos capacidade de resposta aos desafios, entramos num círculo vicioso em que tudo nos gera ansiedade, mesmo a mais pequena tarefa. Eu já estive aqui e sei como funciona. Quando o dia começa mal, tudo corre mal. Mesmo coisas que, em outros dias, com outra disposição, seriam simples de resolver. Visualizar uma perspetiva menos “negra” do dia é algo muito poderoso.

  2. Meditar pode ser um exercício fantástico em todos os tipos de stress, mas neste especialmente. Porque, sabemos que a prática de meditação, diminui a nossa reatividade às situações. Não tens de meditar 1 hora como um monge budista. Ás vezes, aproveitar a hora de almoço, e parar 5 minutos, respirar fundo e pensar em coisas boas já faz maravilhas. Parece demasiado simples, mas resulta.

  3. Chega de culpabilização! O medo de falhar está presente em tudo na nossa vida, mas temos de fazer um esforço para que isso não domine os nossos dias. Falhar é inerente à condição humana. O teu chefe também falhou imensas vezes até lá chegar e vai continuar a fazê-lo. Só não admite, mas isso não depende de ti.

Stress: inimigo número 1 no trabalho

Stress: inimigo número 1 no trabalho

Stress relacionado com o CONTEXTO

  • Stress causado por uma situação que te assusta, pode ser uma emergência ou então, uma situação que envolva algum género de conflito com os superiores e/ou os colegas. Stress provocado por ter cometido algum erro aos olhos dos outros, ou seres repreendido em frente da tua equipa pode ser gerador de grande stress.

Estratégias:

  1. É importante compreender os sinais do o corpo nos dá quando estamos sob stress intenso: são dores de cabeça, cólicas, dores no corpo, enjoo, palpitações, suores frios, irritabilidade? Compreendendo isto, mais rapidamente percebemos qual é a altura de parar, refletir e agir para o diminuirmos. É respirar fundo, é ouvir música relaxante, é falar com alguém de quem gostamos à hora de almoço. Depende de ti.

  2. Os conflitos são os maiores stressores no local de trabalho. Desenvolve competências em gestão de conflitos. Se somos pessoas que reagimos com medo e temos a tendência de nos colocarmos de parte das situações mais intensas, ou somos pessoas que temos tendência a ficarmos mais zangados e revoltados, temos de perceber quais são os momentos que devemos e não devemos intervir.

Stress relacionado com as PESSOAS

  • Quando tens de interagir com pessoas que simplesmente não gostas, ou sentes que não gostam de ti, ou que são algo imprevisíveis e nunca se sabe o que esperar. Pode ser stress causado por profissionais que tenham uma interação muito grande com pessoas: profissões de saúde, vendas, formação, etc.

  • Contextos em que as pessoas com quem interages, estão descontentes ou stressadas. É natural que também te sintas mais triste e cansado, quando trabalhas no seio de uma equipa de pessoas totalmente desmotivadas.

Estratégias

  1. É difícil trabalhar com pessoas com quem não nos identificamos. A realidade é que isto vai acontecer em qualquer emprego para onde vás. Não estou a dizer que não possas mudar de emprego sempre que achares que faz sentido. Claro que sim. Mas conflitos vais sempre ter de gerir e pessoas que não são boas colegas de trabalho, também.

  2. Se o teu trabalho é muito dependente do trabalho de outros, aprende e determina limites desde início da relação laboral. Com educação e assertividade, tens de determinar quais os prazos que precisas para o que teu trabalho não seja colocado em causa. Temos todos de ser profissionais.

  3. Pensar que talvez, a outra pessoa, esteja a passar por uma fase menos boa e que também está a reagir com irritabilidade. Pode também estar descontente e desmotivada. Treinar a empatia com o outro tem um limite: a tua própria liberdade e bem-estar. Sempre que esse limite for ultrapassado, tens que tomar medidas. Ou não sairás tu, do círculo vicioso em que te encontras.

Eu sei que este artigo é longo, mas espero que tenha ajudado a melhorar o teu conhecimento. Existem imensos estudos onde poderás aprofundar este tema. As estratégias são gerais e claro que as podes, e deves, adaptar ao teu contexto, personalidade e estilo de vida. O emprego não deve ser sinónimo de doença. É certo que todos temos orçamentos familiares a cumprir, mas a nossa saúde mental é insubstituível. Espero que estas pequenas dicas te ajudem a melhorar o teu dia, porque é esse o verdadeiro objetivo do Organiza-te.

Fontes: mindtools.com, psicologia.pt e scielo.br